Iniciamos o dia muito preocupados com o estado de saúde do Alexandre que passou mais uma noite mal e com dor. Antes de me dirigir ao café da manhã fui a farmácia novamente e tentei comprar um remédio mais forte para a dor. Expliquei a atendente da farmácia que o Alexandre estava com dor no rim e que precisaria fazer uma viagem longa. Dessa vez, consegui comprar remédios na forma de comprimidos. Retornei ao hotel e o Xande prontamente ingeriu a medicação.
Ana Paula e eu tomamos o café da manhã e em seguida nós três nos reunimos para ir em direção a estação de trem para nos deslocarmos de Shanghai a Pequim. A viagem era de aproximadamente 1220 km a serem realizados em 4 h e 45 min.
A viagem ocorreu de forma relativamente tranquila, porém a febre e o mau estar do Alexandre continuavam preocupantes. Decidimos, então, que depois de organizarmos as nossas malas no hotel iríamos ir em um hospital. Para isso pesquisei na internet, mas antes fui conversar com a recepcionista do hotel que me indicou um outro hospital a poucos metros do hotel. A conversação era via tradutor do celular. Eu fazia a pergunta no meu celular, traduzindo do português para o Chinês, e a atendente do hotel respondia em Chinês que era traduzido para ao inglês, no celular dela (imagem 1).
Imagem 1: exemplo de como foram boa parte das conversas na China.
Acho que por sentir pena de nós, a atendente do hotel foi a pé conosco até parte do caminho para nos indica do por onde seguir sem erros. Nesse momento, por volta das 18 h, a sensação térmica em Pequim era negativa.
Chegando no hospital tivemos uma das piores experiências em nossas viagens mundo a fora, até então. Passamos pelo raio-x e detector de metais, e seguimos as setas no chão que orientavam o caminho a seguir, uma vez que não havia ninguém na recepção. Ao encontramos a área certa fomos conversar com uma atendente via tradutor. A primeira informação que ela nos disse foi para pagar 50 yuans. Depois disso pegou com muita dificuldade as informações pessoais do Alexandre (via meu Google Translate) e então foi procurar alguém para nos atender. A expressão dos funcionários era de surpresa e espanto quando enfim encontramos o médico.
A interação com o médico foi desesperadora. Eu lentamente digitava no celular para ser traduzido o que até então o Alexandre havia sentido, e quando enfim era traduzido o médico e a enfermeira simplesmente não entendiam. Tentei simplificar as frases até que o médico e a enfermeira começaram a rir entre si, e eu e o Alexandre ficamos parados ali atônitos, sem saber o que estava acontecendo.
Depois de um tempo entendi que não seríamos atendidos. O médico falou alguma coisa e compreendi que teríamos quer ir para outro hospital. Sem saber direito o que fazer, dei meu celular com o aplicativo do Didi aberto para que eles colocassem a localização do outro hospital. Ficaram mexendo um tempo no celular até que me entregaram com o hospital marcado. Solicitei então o translado.
Na sequência recebemos o extorno dos 50 yuans e logo em seguida recebi a notificação no celular, de que que o carro do aplicativo havia chegado. Somente depois de alguns segundos entendi que o carro estava parado no hospital que deveríamos ir e não onde estávamos. Com dor e muito irritado com toda a situação, o Alexandre decidiu voltar para o quarto do hotel.
Fui conversar com a Ana para pensar em outra estratégia do que fazer. Decidimos pesquisar o princípio ativo do anti-inflamatório que havíamos dado no dia anterior para o Alexandre e que havia surtido efeito. A Ana descobriu que era o ibuprofeno (em inglês, ibuprofen). Fui a farmácia e consegui comprar um remédio parecido com o que tomamos no Brasil. O Alexandre ingeriu o medicamento e alguns minutos depois, para o nosso alívio, já se sentia melhor. E foi assim que finalizamos o dia mais tenso da nossa viagem a China.
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