Japão - Hiroshima (dia 2)
Depois de muitos anos viajando mundo a fora, hoje foi o dia de turista mais denso e triste que já vivi. Começamos o dia, após um bom café da manhã, nos deslocando a pé em direção ao epicentro da bomba atômica que foi lançada em Hiroshima.
Ao longo do caminho, passamos pelo castelo de Hiroshima, onde aprendemos um pouco da história, cultura e tradições da cidade.
Depois, chegamos ao parque Memorial da Paz de Hiroshima, onde encontra-se os escombros do domo que simboliza e relembra a destruição que ali ocorreu.
Seguindo pelo parque, vimos outro monumento, sendo este dedicado as crianças que morreram direta ou indiretamente devido aos efeitos da bomba atômica. Em particular, essa foto que tirei de frente ao monumento, foi muito significante pra mim porque vestindo casaco azul, estão crianças de uma excursão escolar visitando e aprendendo sobre o ocorrido. Pensar que se fosse hoje o dia do lançamento da bomba, todas estariam mortas ali... foi difícil de processar...
Seguindo pelo parque, passamos pela Chama da Paz, que é um monumento às vítimas da bomba atômica. A imagem não ficou nítida o suficiente, mas no centro do monumento há uma chama... Diz-se que o dia em que não houver mais bombas atômicas a chama será apagada. Infelizmente, esse dia parece estar cada vez mais longe.
Então, entramos no museu Memorial da Paz de Hiroshima. Iniciamos, a visita subindo uma escada rolante que nos conduziu há uma série de corredores escuros e com pouca iluminação, onde somos apresentados através de imagens a cidade de Hiroshima antes do lançamento da bomba, no dia do lançamento e no resultado do que ocorreu depois.
Embora cheio de pessoas, umas muito próximas as outras, o silêncio de todos ao observar as imagens, histórias e os objetos, é desconcertante. No máximo se escuta uma fungada esporádica aqui e ali, pois é difícil conter as lágrimas.
Nos é contado, através de imagens, objetos e desenhos, sobre as primeiras reações provocadas pela bomba, como mortes instantâneas, pele queimada, órgãos expostos, pilhas de corpos amontoados, mães gritando pelos seus filhos mortos, a nuvem em formato de cogumelo, o céu vermelho, a chuva negra (e tóxica), a fumaça, a poeira, a alta temperatura...
Depois somos informados de como os sobreviventes foram resgatados e tratados, da tentativa de encontrar os familiares perdidos, do trabalho dos voluntários, dos orfãos, da reconstrução, dos traumas, dos efeitos colaterais (leucemia, câncer, queloide), das pilhas de corpos enterrados e jogados no rio.
Somos, então, apresentados a várias estórias de sobreviventes que compartilham a sua dor e as lembranças do ocorrido. Finalizamos, a passagem pelos corredores escuros sendo conduzidos a um corredor iluminado, em que damos de frente com o Memorial da Paz. Preciso de alguns minutos para me recuperar... O silêncio continua e nenhuma fotografia é tirada, pois é muito difícil lidar com tudo que é vivênciado ali.
Seguimos, então, para outra área do museu onde somos informados sobre os eventos políticos e científicos que culminaram no lançamento da primeira bomba atômica do mundo, pelos Estados Unidos da América, no dia 6 de agosto de 1945. Esse, setor do museu, é bastante revoltante, pois é impossível não ficar incomodado com o fato de tão poucas pessoas e nações terem tanto poder e psicopatia para tomar decisões que afetam tantas vidas e destinos.
Enfim, mesmo vendo todos os esforços em seguir em frente e reconstruir aquilo que foi destruído, é impossível finalizar a visita, sem se sentir um pouco mais impotente, idealista (desejando uma vida melhor para todos) e pessimista a respeito dos rumos da humanidade.







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